quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Retalho de um Tempo

Conversaram durante horas.
Riram das mesmas piadas, falaram a mesma língua, criaram códigos fantásticos sobre as mais diversas e absurdas situações. Passaram consecutivos minutos perdidos na dialética louca das palavras, dos sinais, dos gestos. Escolheram os melhores verbos, substantivos, inventaram adjetivos mágicos para descrever-se, e entonar, e mesclar e envolver-se.
Perderam-se nos mais diversos assuntos, sonharam os mesmos sonhos, fantasiaram viagens ao infinito, ouvindo aquela música, bebendo um pouco, sorrindo outro tanto.
Embriagaram-se do inusitado, correram por campos verdes com cheiro de terra molhada de chuva, de pés descalços e cabelos ao vento.
Caíram na lábia dos desejos e desencadearam uma cascata neurológica de sensações, mergulhada em serotonina e medo.
Vivenciaram o proibido, o subterfúgio, o subentendido.
Viram o calor do verão ser sufocado pelo frio do inverno, e os sons das muitas vozes ser calado por um silêncio sem fim, e o tempo se arrastar lento, sem assunto, sem vontade.
E de repente, não havia mais o que dizer. Havia uma lembrança, vaga, sombria, solene, saudosa, temperada com um carinho simples, um cheiro guardado e o gosto novo do inesperado.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Escolhas

Há sempre uma escolha a ser feita.

Dormir um pouco mais e ficar atrasado ou acordar assim que o despertador toca, mesmo sabendo que vc não dá conta de ficar de pé?
Comer um pão dormido no café da manhã ou tomar um iogurte Danoninho do botão que vale por um bifão? Que roupa usar? Que música ouvir no rádio? Ou será melhor colocar um CD, cujas as músicas vc já sabe de cór e não se ater às surpresas do locutor? Casar ou comprar uma bicicleta? Mudar de emprego? Mudar de opinião política ou continuar lutando contra o Jornal Nacional quando ele traz as "Infindáveis Viagens no Maravilhosos Mundo do Lula"? Que sonho sonhar?

Sempre há uma escolha a ser feita! Até a renúncia a escolha é uma forma de escolha. E todas as nossas escolhas tem 50% de chances de darem certo, como as de qualquer outra pessoa.
Mas por que em inúmeras há um sofrimento intrínseco à dúvida?

Queremos demais prever o futuro e saber o dia certo para levar o guarda-chuva, e para usar tênis ou invés de sandálias, e para fazer todas as coisas que desejamos sem medo, sem receios, sem sombras, e a hora certa para ligar, para chorar, para mudar, para morrer.

Queremos ser vencedores... Mas nos esquecemos que nem sempre ganhar é o que importa quando se chega no final. Às vezes (muitas vezes), importa mais o caminho percorrido, os encontros feitos, os elos desfeitos, o que se deixou pra tráz e quais novas escolhas precisarão ser feitas para que novos caminhos surjam, novos encontros aconteçam, novos elos se façam. Perdendo, ganhando, vivendo.

O vencedor (Los Hermanos)

Olha lá quem vem do lado oposto e vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que nunca fui assim muito de ganhar,
junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Pressa, Pressão, Presságio...

Queria ter mais tempo pra ficar à toa e desfrutar da dose sensação de não fazer nada.

Sem a pressão da rotina, sem dar ouvidos aos prazos, planos, metas, meios , medidas.

Acho que estamos demasiadamente habituados e, muitas vezes acorrentados, à necessidade da ocupação, de dizer que não temos tempo, que não poderemos descumprir este ou aquele imprescindível item de nossa agenda de compromissos fixados pela urgência da vida moderna e porque não dizer, do status social.

Já ouvi de um célebre colaborador da minha vida (pessoa que não troco por nenhuma outra, agente fixo dos meios devaneios, parceiro das críticas aos programas de televisão, das pizzas e das questões que variam entre as mais importantes e as mais banais) que blog que não tem postagem constate, morre!

Pensei! Será que até aqui a pressão é uma companheira?

Acho que na ciranda imposta pela rotina, pelos carros acelerados (com uma pessoa só dentro), pelos compromissos inadiáveis, com pessoas "extremamente fundamentais", exaurimos nossa capacidade de dar vazão ao ócio.
Inclusive para nos cercarmos de mais razão ainda, criamos a expressão "ócio criativo" pra justificar, inclusive a nossa necessidade de não fazer nada ou a produtividade do nada.

Não apóio a ideia de extinguirmos toda e qualquer forma de pressão, muito pelo contrário! Gosto dela. Mas defendo a necessidade de termos mais tempo para trabalhar nossos devaneios, nossos desejos mais banais, nossas vontades mais superficiais, de postarmos a ideia que quisermos , quando quisermos, de termos menos razão.

Cansei de querer ter razão a toda hora, quero apenas que ela me acompanhe às vezes. E que na grande maioria das vezes, eu opte pela simples e doce sensação de me sentir livre. Livre para criar, para alterar prazos, sonhos, planos, metas. Livre para determinar ao tempo, senhor da ampulheta, que minha areia escoará em ritmo desacelerado, conforme o compasso dos meus anseios.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Revendo

Estamos sempre revivendo o passado, reavivando, remexendo, relembrando.
Estamos sempre pegando os fatos, histórias e estórias já encardidas e desbotadas e dando uma escovada aqui, uma tinturazinha ali, remendando (ou pelo menos tentando) situações que já passaram.
Quando encontramos velhos amigos, velhos inimigos, velhos amores, quando nos sentamos pra tomar uma cerveja e contamos aqueles causos de outrora, tudo se repassa em nossas mentes como se ainda fosse engraçado, trágico, bizarro, como quando aconteceu, ou ainda como se tivesse acabado de acontecer.
Estamos sempre, de alguma forma, atrelados ao passado. Às vezes, de forma positiva, outras vezes ainda buscando exorcisar o ocorrido, mas sempre tentando encontrar quais facções de sentimentos daquele período que ainda nos constroem.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ideias x Idéias

Dar nome à qualquer coisa não é fácil! Assim foi com esse blog, imagino como deve ser com um filho!

O nome indica o que se pretende, até mesmo quando não se pretende nada. Está vinculado às percepções acerca da personalidade, das virtudes ou da falta delas e mais à um tanto de outras conexões neuronais, banais ou não.

A palavra "ideia", surgiu em minha mente assim que tive a "ideia" de criar esse blog. Mas eis que surgiu a dúvida! Como escrever ideia, tendo em vista as novas atualizações da língua portuguesa?

Bom, segundo as novas regras: "não se usa mais acento nos ditongos abertos 'éi' ou 'ói' das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba), logo ideia, colmeia, boia, geleia não têm mais acento.

Parece algo importante e é! Trata-se da forma como escrevemos e quantos de nós erram na hora de tentar expressar aquilo que queremos, utilizando a palavra escrita.

Mas qual a relevância disso para suas ideias, quer seja a palavra escrita com ou sem acento?
Ou ainda, o que vc anda fazendo com as suas ideias? Em quais bons caminhos está fazendo-as passear? Ou você sequer anda tendo ideias??

Repense sua própria acentuação e reveja onde os seus agudos ou cincunflexos precisam ser colocados...

Outras Mesmas Ideias

Ano Novo e milhares de novas resoluções.

Optamos por novos regimes, novos desejos, novos rompantes, novas formas de nos exercitar, quer seja física, espiritual ou intelectualmente.

Comigo não está sendo diferente!

Continuo com o mesmo trabalho, mesmos hábitos, mesmas rotinas, mesmas idéias... Mas resolvi fazer algo diferente! Resolvi escrever!

Fiquei lendo blogs de conhecidos, velhos textos repassados pela internet, "A menina que roubava livros", meus próprios textos de horas passadas e pensei, por que não arriscar? Talvez ninguém leia, mas ainda assim, me exercitei. Saí do esperado e olhei para as minhas velhas idéias, revestidas somente de novas roupas.

Assim começa esse amontoado de versões acerca de mim e das coisas nas quais ainda quero acreditar, transcender, modificar, acomodar, esquecer e relembrar.

Não são idéias novas! Na verdade, acho que poucas vezes as temos. São somente outras mesmas idéias iguais àquelas que qualquer um de nós, um dia, já teve. Entretanto, acredito que seja um bom jeito de iniciar um novo ciclo.

Caso sinta-se à vontade, seja bem vindo!