domingo, 24 de março de 2013

A quem possa interessar



Há muito tempo atrás, quando o Orkut ainda era um meio de comunicação usual e estava entre as redes sociais dignas, escrevi um texto para a descrição do meu perfil. Era quase uma junção desconexa das minhas crenças pessoais e que naquele momento pareciam tão pulsantes na minha vida. 

Engraçado que o texto ficou lá durante um tempo até que eu o retirasse e por muitas vezes depois disso, vi partes dele serem publicados em diversas fontes da internet (todas elas meio voltadas para a auto ajuda! Rs). Tenho certeza que as palavras são minhas e muitas vezes pensei como isso poderia acontecer... Como algo escrito à margem de qualquer intenção de se difundir pode ir à tantos lugares à ponto de confundir até quem o escreveu.

Bom, não voltei à ele para reivindicar à autoria. Voltei para ver se algo havia mudado em mim. Se aquilo que eu havia escrito há tanto tempo permanecia vivo em mim. E me surpreendi. Ainda era exatamente daquela forma. É óbvio que mudei durante esse caminho, mas acho que os valores que julgo importantes permanecem e é assim que eu gostaria que fosse. 

Para mim a vida não é feita necessariamente da autoria dos fatos, mas sim de uma mistura do que nos contrói, do que vivemos em nossas vidas e na vida dos outros. Inúmeras vezes nem nos damos conta da importância que temos para muita gente e de que como podemos melhorar nosso entorno com um simples gesto de cuidado, carinho e respeito. Nossas dificuldades e defeitos sempre existirão, mas nosso desejo de nos fazermos melhores precisa persistir, ainda que haja muitas reticências.

Então, meu texto antiguinho ainda se faz importante e está logo aqui no próximo parágrafo. E que ele chegue a quem possa interessar, com o intuito de trazer algo bom:

Hoje acho que sou melhor do que fui ontem... Até porque, um dia a gente tem que evoluir, crescer, melhorar, se desapegar das mesquinharias, da falta de bom senso, da falta de amor próprio, das virtudes que parecem indispensáveis até percebermos que elas são ridículas!
Acho que hoje, ando muito mais feliz que antes, hoje valorizo um amor bom, alguns amigos absurdamente verdadeiros, uma saudade imensa da minha família, uma vontade louca de nunca me tornar uma profissional medíocre ou uma pessoa mais ou menos... Hoje, muito mais do que antes, acredito que tudo tem seu tempo, tudo acontece na melhor hora... Hoje, sei que o amor chega na hora exata, que a maturidade vem aos poucos; que a infantilidade só vale a pena se for pra fazer a gente rir; que pai, mãe, irmão, sobrinho é tudo; que amigos bons são muito poucos; que companhia ruim, ninguém precisa; que cuidar da sua vida é sempre a melhor opção; que stress só serve se for pra você crescer; que dias melhores sempre virão; e que na vida, tudo vale a pena...
Parece o cúmulo do otimismo, mas é assim que eu quero ver a minha vida, porque a minha felicidade depende das escolhas que eu faço! E porque os dias ruins irão existir, mas os bons irão superá-los...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ode ao Tempo

O tempo passa depressa.
Com ele estão os amores que fazem sofrer, os planos desfeitos, os amores que duram, as alegrias temperadas com lágrimas de emoção, os sorrisos contidos, os sonhos impacientes. E tanta coisa! Tanto dos outros, tanto de nós.
Por ele fazemos amigos, reconhecemos almas comuns e afins, buscamos novas virtudes, sangramos por dores que parecem infindáveis, sofremos à prestação e, na mesma proporção, ele adoça nossos lábios e faz brilhar um sol onde antes só havia espaço para uma penumbra.
Tão engraçado que é, ele nos faz reviver um dia perdido que queríamos esquecer e também nos deixa a imaginar onde começou algo que nos fez fortes, como surgiu aquele momento que queremos que se prolongue, não se acabe, se infinite.
Ah, tempo! Hoje me parece divertido observar suas artemanhas e as estratégias que traçou e me trouxe aqui. Tanta coisa aconteceu, tantas luzes se apagaram, tanta gente foi surgindo, ressurgindo, imergindo. Tanta gente nos deixou e tantos outros ganharam seu espaço. Mas me basta agradecer. Sua generosidade, ainda que muitas vezes torta, me trouxe um sorriso melhor, um passo mais firme, um coração mais livre.
À você, eu devo esse amor de agora, os planos que inundam os dias, as lágrimas que secaram e que certamente irão voltar em algum tempo. Tudo é transitório e não faz mal que seja, tudo tem seu tempo e seu lugar. Todas as coisas findam para que outras novinhas possam surgir e nos mostrar outras formas de encarar a vida, novos jeitos de sonhar e de alçar voos mais altos!
À você, certamente eu devo o pleno conhecimento de que a alegria é uma companheira que depende de nossa própria alma para estar ao nosso lado e que as tristezas não são inesgotáveis, mas fortalecem nosso espírito para que outros ventos possam soprar!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"O mundo começa agora"

Alguns acontecimentos da nossa vida, das vidas dos outros, do mundo, me fazem refletir sobre a capacidade do ser humano em respeitar os demais. Paralelamente a isso acho que respeitar trata-se de uma questão tão ampla que muitos se perdem e talvez sem perceber (eu espero!) acabem dizendo o que não deviam, agindo como não poderiam.

Quantas intolerâncias são vistas nos jornais, nas revistas, na internet. Quantas pessoas são agredidas porque gostam de uma música diferente, amam pessoas do mesmo sexo, possuem ideias diferente daquilo que se julga ser convencional. Nos deparamos com comentários racistas mascarados pelo dito senso de humor, encontramos agressões físicas, psicológicas, emocionais fundamentadas única e exclusivamente nas diferenças entre indivíduos de uma mesma espécie.

Quantas não são as formas de desrespeito vestidas de roupas leves, com maquiagens sutis e sorrisos largos. Quantas não são as pessoas que se aproximam e agem de uma forma falsa, dissimulada. Isso também é falta de respeito! Convívios regimentados pelas obrigações sociais, abraços sem calor, convites sem o desejo de estar junto, elogios sem alma associados a comentários maldosos quando não há ninguém olhando.

A falta de respeito subverte a verdade dos sentimentos e muitas vezes nos impede de ver como aquela pessoa pode ser agradavelmente compatível com nossos valores ou ainda como atitudes assim causam sofrimento a quem é atingido por ela. Não nos colocamos no lugar do outro! A essência humana é uma só e sua conduta deveria se basear nisso. Tratar aos outros com respeito é dever de todos. Aceitar e entender a individualidade de cada um, ascender aos caminhos que mudaram, as ideias que se fizeram diferentes das nossas e de outrora, não demonstrar o afeto que não existe, não estabelecer verdades absolutas e conceitos pré-definidos, pré-moldados, sedimentados em bases sem solidez de caráter.

Somos/Fomos todos desrespeitosos em algum momento, mas não há conduta que seja imutável, sobretudo para que algo melhor se faça.
Espero não construir meus tijolos em alicerces falsos, espero olhar o outro com o olhar de quem nada sabe e portanto não pode ser superior à ninguém. Espero transformar o que está em minha volta em algo melhor, mas acima de tudo que a transformação se inicie em mim.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Necessário e/ou Humano

Muitas vezes a escrita é um refúgio. Quanto se está alegre com algo, quando se está triste, quando se está engasgado, quando se tem medo, quando se tem coragem, quando se tem saudade. Algumas vezes é preciso escrever para dar vida aos seus personagens, àquelas outras personas que habitam seu inconsciente.

Outras vezes é preciso gritar, exorcizar o receio, o esteriótipo, o subversivo. Calar o silêncio com um grito, para logo em seguida, tentar ouví-lo novamente.

Às vezes é preciso esquecer, jogar fora aquela maleta de revezes que insistimos em levar de porta em porta. É preciso entender que há passados que nos acompanharão, ainda que achemos que eles são desnecessários, desconfortáveis, desmedidos.

Tantas vezes é preciso chorar, expor ao mundo aquela fraqueza dos olhos, que mareados, insistem em transbordar algo aprisionado no fundo do baú das mais secretas dores.

Sempre é preciso ouvir. Deixar de falar por algum tempo e escutar a verdade que, embora desagrade, faz-se necessária para dizimar o conforto da mentira. E é preciso dizer a verdade, embora, o ouvinte não pareça pronto, embora pareça que tudo se resumirá à uma dor pungente, mas justa.

Em determinadas vezes é preciso ter saudade. Daquele amor do passado, daquele vestido que não nos serve mais, daquele amigo que deixou à beira do caminho, daquele vento que soprava sob sua árvore favorita, daquele cheiro da roupa de cama limpa da casa de sua avó, daquele tempo em que as certezas eram incertas demais, mas eram únicas.

Por hora é preciso ter coragem, para sonhar sonhos novos e acreditar que o tempo de agora é um esboço de um futuro melhor. Para acreditar nas pessoas e não duvidar das palavras que lhe são ditas, das promessas a serem cumpridas, das demonstrações de afeto daqueles que lhe surgiram à pouco.

Agora é preciso cantar uma oração. Ouvir seu coração. Buscar a cumplicidade nos olhos do outro e seguir.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Certo?

Tenho um desejo de acertar sempre. Me cobro. Questiono minhas escolhas. Questiono minha produtividade. Me consumo pelos defeitos, pelas atitudes tomadas e que eu gostaria de fazer diferente, mas o ímpeto me guiou pra outro caminho.
Muitas vezes sonho em ser mais leve! Quero poder mostrar aos meus filhos a qualidade de viver um dia embriagado de sol, de respeitar os outros, de buscar solução para suas inquietudes, de admirar a vida enquanto anda e descobrir novos caminhos.
Isto é qualidade!
Mas como não mostrar-lhes os defeitos? Se todos temos limitações. Eles também nos edificam, constroem nossa personalidade, nossa força. Alguns deles, inclusive, são os alicerces dos nossos castelos, juntamente com os tijolos do bem fazer.
No final das contas, talvez seja necessário conhecer a arte de avançar e recuar. Nunca se sabe qual qualidade nos tornará mais frágil e qual defeito nos erguerá.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Reconheces?

Possivelmente ao ler esse texto, você terá dúvidas quanto a validade dessa escrita. Ela é tão particular em alguns momentos que beira um devaneio, mas certamente alguém se reconhecerá.

Encontramos pessoas aos montes em nossas vidas, conhecidos, amigos de amigos, passantes...
Mas as realmente interessantes aos nossos olhos, por quem nos apaixonamos (no sentido carnal e no espiritual), que nos dedicamos, nos doamos, que realmente se apoderam de nossa atenção, nosso carinho, nosso respeito, são poucas, muito poucas, pouquíssimas.

Em algum momento da vida, certamente você encontrou alguém que merecia uma crônica!

Eu encontrei várias e comecei encontrando-as desde muito cedo. Abençoados encontros, tumultuados encontrados, inesperados encontros, únicos.

Um dos meus grandes encontros foi com um meninino magrelo, com um beiço imenso (com o passar dos anos isso se tornaria algo atratível e ele se tornaria, pelo menos na sua cabeça, um grande galã!), na frente da loja de seu Raildo (ao menos essa é minha primeira memória), íamos a mesma escola, tínhamos quase a mesma idade. Na minha cabeça de criança ele parecia o Menino Maluquinho, pois havia nele uma mistura de traquinagem, Mônica e vestidos. Daí em diante, sempre estivemos próximos. Admiro até hoje seu espírito aventureiro, seu poder de comunicação, seu raciocínio rápido, sua falta de medo em experimentar o novo, como um suco de Taperebá em Manaus.

Outros foram mais complexos, rodeados de uma rivalidade adolescente, mas depois permeados de uma cumplicidade sem precedentes. Fizemos planos pra vida toda, de uma amizade que nunca se acabará, ainda que hajam muitos cavalos a correr, muitos países a serem descobertos, muitas garrafas de vinho, muitos risos ou muitas lágrimas.

Houve também aqueles em que como Clarice Lispector ou como o Charlie Brown, se encontra uma menina ruiva. Tão doce, tão boa, tão amorosa, tão bonita. Dona de uma alegria quase irritante, de um humor muito peculiar, de um coração apaixonado e que merece tantos bons amores.

Sempre nos encontramos com pessoas ímpares, como o advogado que salvou a menina ruiva e a quem sempre se recorre quando se procura uma boa companhia.

Ou como o menino engraçado que faz piada de tudo, que pergunta: "Você se lembra de mim? Sou filho de Eutiquiano!" e que morre de amores pelos seus amigos.

Ou como o amigo do seu irmão, que virou seu amigo e faz cinema e que se envereda por qualquer lugar do mundo.

Ou como a morena que nasceu para ser mãe, casou-se com um atleticano (contrariando todas as expectativas), construi seu castelo e deu à luz a uma princesa.

E o tempo passa e outros mais vão vindo ao longo da estrada, como a menina muito pequena, na qual vc descobre uma personalidade tão parecida com a sua e uma necessidade de aproveitar o mundo! Ou o cara de óculos e careca que já nasceu velho, mas tem um coração tão novo. Ou ainda, aquelas doces, competentes, apaixonadas pelo trabalho, pela família, pelo seu carro, pelo seu tempo, pelo seu amor.

Certamente você encontrou alguém, que merecia uma crônica ou talvez você consiga se reconhecer em alguma.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nunca e Sempre

Em algum momento da sua vida, certamente, você acreditou que haviam verdades que não mudariam. Que a sua carreira ia pelo caminho que você acreditava ser o ideal, que você já tinha planos e metas traçados para um longíquo futuro, que você já havia encontrado a pessoa com quem você julgava que passaria toda a vida.

Então, apesar de tudo milimetricamente arquitetado, eis que surge um vendaval de novos acontecimentos e você é obrigado a mudar, a se reinventar, a buscar novas habilidades, novas possibilidades.

No princípio é o fim dos tempos! Choros, desesperos, noites sem dormir, medo do inesperado.
Mas o tempo, vai trazendo seus balsámos, vai acalmando sua alma e vai lhe dando novos planos de vôos.

Então, de repente, você descobre que as novas e infinitas equações que se tornam viáveis lhe dão algo muito bom... O novo! É certo que ele vem vestido com uma armadura medonha, mas lá no fundo, você pode se deparar com um novo corte de cabelo, uma nova carreira, um novo amor pra vida toda.

Eu aconselho (se é que posso me dar ao luxo!), sintam o cheiro do novo, se enveredem pelos caminhos da mudança. Não há maior tristeza que se embriagar do medo e não observar que muitas janelas se abrem, quando em algum momento uma porta se fecha.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Feliz

Dia ensolarado...

O corpo cansado pelo dever cumprido, a alma calma e o coração feliz.
Outrora estive em mares tortuosos, pensando no medo, no macro, no quanto nossa cabeça martela os sentidos.

Hoje descobri que a felicidade é um portão estreito, cujo translado passa pela leveza dos sentimentos, pela busca pelo que é simples, pela aceitação do que é imutável ou daquilo que a vida nos escolheu, pela coragem de correr riscos, pela alegria de encontrar algo surpreendentemente bom ao final da jornada.

Encontrar algo bom é uma descoberta saborosa e possível.

Perdoem-me os pessimistas, mas hoje a felicidade bateu na minha porta, sentou-se comigo, conversamos sobre o tempo, sobre a campanha política, as novas tendências da moda, uma cor de esmalte; um novo amor pra vida toda, fizemos planos de alegrias eternas e viagens internacionais, rimos do tempo em que chorei, quando haviam outras verdades estabelecidas.

Agradeci achando que ela já ia embora, mas ela me disse, "Acalme seu coração, permanecerei aqui e se achares que me fui, não te atormentes, estarei apenas fazendo charme para que você possa sempre valorizar minha companhia".

E era verdade, ela continua aqui...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Haiti é logo ali...

Certamente hoje vc acordou e reclamou da vida.

Ouviu o despertador tocar, deu mais uma soneca e pensou, "Não acredito que eu tenho acordar a essa hora da manhã!". Se levantou, arrastando-se, tomou um banho, reclamando do chuveiro que não saía a quantidade de água que vc gostaria. Se trocou, olhando para o guarda roupas cheio de boas marcas e disse: " Não tenho o que vestir!". Abriu a geladeira, mas como comer algo, tão cedo assim? E resmungou de novo, não foi?

Hoje vc reclamou do trânsito, do calor, da chuva forte, da fila do Banco, dos pedestres, dos outros motoristas, de vc, da sua mulher.

Hoje vc esqueceu, mais uma vez de ligar pra sua mãe, de dizer ao seu marido que o ama, de ligar pra aquele seu amigo que vc deixou esquecido porque arrumou um novo namorado.

Hoje vc esqueceu de dar bom dia às pessoas, de ser gentil com os outros, de dizer obrigado à moça que lhe serviu um café na padaria.

Hoje, mais uma vez, vc só pensou em vc.

E vc chegou em casa, e ligou a TV, e viu que um terremoto atingiu o Haiti, e devastou o país, deixando uma situação caótica, e milhares de mortos, e total falta de estrutura governamental, e falta de tudo, água, luz, recursos, corpos espalhados pelas ruas, desespero, desesperança, o cheiro que só uma catástrofe deve ter...

Se vc achou que tinha problemas, vá ao Haiti...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Saudade

Saudade daquela época em que eu nem pensava em ter saudade.
Saudade de quando o tempo era meu parceiro e eu não precisava correr contra ele.
Saudade de vc, contarolando uma canção besta.
Saudade de sentir cheiro de chuva, sem me preocupar com enchente, catástrofe, dor.
Saudade de tomar sol, sem me lembrar de melanoma, carcinona, UVA e UVB.
Saudade de andar de bicicleta, sem preocupação.
Saudade de tomar cerveja sexta-feira, depois da aula.
Saudade dos amigos tantos de outrora, quando vc não precisava se preocupar com distanciamento, rugas e outras coisas mais.
Saudade de nós dois, ouvindo Band News.
Saudade do tempo em que os melhores personagens eram playmobils.
Saudade de tentar imitar o mapa do tesouro do Menino Maluquinho do Ziraldo.
Saudade do meu coelho Chamego.
Saudade de brincar de rouba bandeira e esfolar o joelho na rua.
Saudade do gosto do cheiro de bala Halls de cereja.
Saudade de tempo em que saudade era um luxo e não uma nostalgia absurda.
Saudade de ouvir Legião Urbana em fita cassete.
Saudade do cheiro da roupa de cama da minha mãe.
Saudade daquela época em que as escolhas eram mais simples, os medos mais leves, as responsabilidades mais amenas, os amores mais fugazes, as certezas menos definitivas, os desejos mais tolos, as verdades menos absolutas.

"Saudade vaga presença, coisa que bem não se explica, algo de nós que alguém leva, algo de alguém que nos fica"

domingo, 18 de outubro de 2009

SuperAção

Dificuldades sempre existirão. Essa é uma das célebres frases do mundo.
Crescemos acreditando que tudo é superável, que Deus não nos dá fardos maiores que nossos ombros, que tudo é positivo para nosso crescimento.
Muitas vezes duvido. Acho que essa é uma dessas estórias criadas para delinear ações, mas sem embasamento real, tipo não poder comer manga e tomar leite.
Outras vezes acredito, pois acho que é uma forma de nos condicionarmos a aceitar melhor àquilo que nos acontece.
E em meio à crença e a descrença, vamos nos comparando aos outros, à outras realidades e os outros devem fazer isso conosco também.
Hoje eu queria acreditar...
Queria crer que tudo ficará bem, que depois da tempestade vem a bonança, que dias melhores virão, que há uma luz no fim do túnel, que tudo dará certo no final.
Queria não duvidar, apenas crer, sem procurar razões científicas, lógicas, concisas.
Queria a fórmula mágica do pensamento positivo, mas me deparo com o inexorável. Não há fórmula mágica, assim como para todas as outras coisas da vida. Há somente você e sua fé.
Então tenha fé! Não há nada que não possa ser mudado e as surpresas agradáveis ou não sempre hão de aparecer. Cabe a nós, escolher a nossa verdade e seguir...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

No Meu Mundo

No meu mundo predominam os sonhos. Sonhos completos, com falas, diálogos, discursos, declarações de amor, reencontros, receitas de vida.

No meu mundo predominantemente há música. Variadíssimas! Como o nome do CD que acabei de gravar. Apaixonadas, dançantes, modernas, sofridas, alegres, bregas, mas sobretudo que refletem o que anda se passando com meus dias.

Nesse mundo há uma necessidade absurda de ser, ter, saber... Verbos no infinitivo! E muitas vezes eu queria viver no gerúndio, observando, ficando à mercê do vento, procurando o compasso de um coração que se parecesse com o meu.

Nesse mundo há inúmeras gargalhadas, risos soltos, sorrisos amarelos, dentes brancos, outros nem tanto, risadas guardadas esperando o momento de se tornarem livres e ecoarem pela sala, pela praça, pelo tempo.

Desse mundo e do outro também, há tantos medos, fantasmas vestidos com lençóis brancos, receios, arrependimentos, soluços baixinhos que se tornam choros contidos que se tornam prantos torrenciais.

Nesse mundo há tanto o que se falar, tanta gente pra conhecer, tanto lugar pra ir e inúmeras vezes vivemos insistindo em querer voltar no tempo e fazer a mesma coisa, com as mesmas pesssoas, no mesmo lugar, pra alimentar o cômodo, o estabelecido.

O mundo é mau! E vou me fazendo de forte, vestindo a couraça da mulher moderna, o escudo da independência.

O mundo é filme, é "Uma verdade inconveniente", é descobrir que "Ele não está tão afim de vc", é ver que "O vento levou" e ficar revendo as historinhas àgua com açúcar da TV à cabo.

O mundo é o que somos, é o que construimos e descontruimos a todo momento, é o tempo que nos damos e que distribuímos aos outros, aos que amamos, aos que nem conhecemos, aos que toleramos, aos que gostaríamos que nos amassem. O mundo é só esse espaço de tempo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Exercício para o Coração

Ele acordou cedo e resolveu caminhar. Fazia dias que não se exercitava, mas os chopps da noite anterior pareciam exacerbar sua cincunferência abdominal.
Iniciou o processo pensando em todos aqueles cálculos que os educadores físicos fazem para determinar qual o melhor ritmo cardíaco a ser mantido. Como sabia que não conseguiria fazer aquela conta, ali, de cabeça, optou pelo ritmo que lhe parecia mais aprazível. Prosseguiu com passadas rápidas, se sentiu ofegante e avistou um senhor sexagenário esbanjando um vigor cardíaco invejável, enquanto ele parecia que teria um infarto fulminante.
Para dispersar a opressão cardiopulmonar, resolveu transferir seus pensamentos para outras questões que o afligiam e persistiu nas passadas.
Era inevitável que ela não pavoasse seus pensamentos. Como pode se envolver daquele jeito!? Se viam sazonalmente, mas sempre que se viam era impossível não se tocarem. E por que aquilo durava tão pouco? Uma noite e tudo se dissipava. A urgência se perdia no vazio abstrato dos relacionamentos fugazes de hoje em dia. E ele queria tomar coragem para dizer o quanto ele a queria, o quanto achava que poderiam ficar bem juntos, perenemente. Mas ele tinha medo! Medo da rejeição, medo da falta de correspondência. Imagine ela rindo, depois dele se declarar, e dizendo a ele que entendeu tudo errado, que ela não queria nada sério, pois agora ela precisa de um tempo para si mesma e estava ligada ao auto-conhecimento, à religião budista, à carreira...
Seu coração se apertou mais e ele apertou mais as passadas, como se seus pés pudessem pisar naquele pensamento tão furtivo que lhe tomava conta dos músculos, e transformá-lo em rastro.
Aumentou o volume do seu MPqualquercoisa e ouviu o "Último Romance" do Los Hermanos ecoar em seus tímpados.

sábado, 2 de maio de 2009

Sem ar

Estou andando em círculos, buscando a cada dia um pouco de uma felicidade minimalista que nem sei se existe. Me falta coragem de largar o que é cômodo, estabelecido, resolvido, seguro. Me falta fôlego para dizer as verdades que gostaria. Me falta discernimento para medir o risco, calcular o medo. Me falta fôlego...

Andei relendo Rubem Alves, intertextualizado, sábio quando à sua religião, atento ao mundo, e ele me mostrou um pouco de sua "Oração":

"O mundo de fora é um mercado onde pássaros engaiolados são vendidos e comprados. As pessoas pensam que, se comprarem o pássaro certo, terão alegria. Mas pássaros engaiolados, por mais belos que sejam, não podem dar alegria. Na alma não há gaiolas.

A alegria é um pássaro que só vem quando quer. Ela é livre. O máximo que podemos fazer é quebrar todas as gaiolas e cantar uma canção de amor, na esperança de que ela nos ouça. Oração é o nome que se dá a esta canção para invocar a alegria."

Não estou procurando o pássaro engaiolado que me trará alegria, mas preciso aprender a oração.

terça-feira, 21 de abril de 2009

No Tempo da Maldade


Tanta coisa aconteceu. O tempo passou e muita coisa mudou.

Antes nos reuníamos mais. Falávamos da vida, falávamos bobagem, falávamos do futuro, do presente, do passado. Cantávamos juntos, músicas bregas, fazíamos coreografias e ríamos, sobretudo, ríamos. Éramos, certamente, menos ocupados, menos preocupados, menos "pós-ocupados".

Habitávamos mundos particulares, quase paralelos, partilhávamos as mesmas gírias, os mesmos sonhos, dividíamos os medos, as histórias, as mentiras, as cervejas, as contas, a família.

Não tínhamos os inimigos de hoje, os horários, o medo do ridículo. Sabíamos pedir desculpas e tínhamos coragem de fazê-lo. Sabíamos onde nos encontrar. Amávamo-nos.

Hoje, eventualmente nos vemos, uns de nós não se veem mais, ou ainda, ao verem-se fingem não fazê-lo.

Talvez fossémos pessoas melhores, menos solitárias, menos cercadas de preconceitos, mais amigas, menos amargas, mais inteligentes, mais dependentes, mais felizes.

E tanta coisa aconteceu, muito tempo passou e "(...) agora era fatal que o faz de conta terminasse assim (...)".

sábado, 18 de abril de 2009

Rubim

É um canto longíquo, perdido no final de uma estrada de muitos quilômetros. É uma terra quente, de ar triste, de uma brisa inconstante.
É uma praça perdida entre a imensidão vazia que a circunda. São 12 horas de viagem.
São gerações que conheceram seus muitos points da moda. É Rabo da Gata, é Péra, é Casa Rosada, é Gavião, é Estação da Cerveja, é seu Alcides, é o bar de seu Manoel, é o Trinca Ferro, é o Alvorada, é o Domingo Alegre. São sons, lágrimas, encontros, desencontros, despedidas, despedaços...
É a falta d'água, é o Forró da Água, é a água que não chega, é a enchente, é a água da Medéia.
É a politicagem, é a usurpação do público, é o público transcendendo o privado. É o dinheiro pouco e a alegria tanta, é o riso solto, é a receptividade.
É a cerveja gelada de Zé dos Queijos, é subir pra AABB à pé e parar pra descansar na Caixa D'água (que não tem água), é o "Nós é Doido", é seu Álvaro.
É a reconstrução do passado, é a reforma do Tênis, é o calçamento de pedras que furam o pé, é o "boteco" de Dielson, é o Carnaval na praça, é a luz que apaga às 22h, é a Cavalgada, é a vontade de voltar sempre.
É a Serra da Cangalha, é o coração batendo mais forte quando se avista a cidade da estrada, é a estrada em que não se passa, é o asfalto.
São as brincadeiras de rua, é rouba bandeira, garrafão, briga de animal, "ping" latinha, esconder. É o Boi de Janeiro, é a Lobinha de Ouro, é a Maria Manteiga. É guerra de momona, é entrar no rio sem medo de pegar verme.
É o São João na praça das Acácias, é a ladeira do sobe e desce, é o picolé de Edvaldo, é Xixico, é a Calçada da Fama.
É o Perta-guela, é a rua da Barroca, é o Carrapato, é o Cavaco, é o Mercado, é a rua São Geraldo.
São os amigos de uma vida inteira e os inimigos exporádicos, são todas as lembranças trançadas no passado e no futuro.
É tanta história, é tanto passado, é o medo que não haja mais conserto, é um imã, um açúcar, uma União, um rubi.
Talvez não pareça real, talvez seja apenas o vilarejo de todos os nossos sonhos, àqueles vividos e àqueles que nem ousaram se tornar realidade.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Retalho de um Tempo

Conversaram durante horas.
Riram das mesmas piadas, falaram a mesma língua, criaram códigos fantásticos sobre as mais diversas e absurdas situações. Passaram consecutivos minutos perdidos na dialética louca das palavras, dos sinais, dos gestos. Escolheram os melhores verbos, substantivos, inventaram adjetivos mágicos para descrever-se, e entonar, e mesclar e envolver-se.
Perderam-se nos mais diversos assuntos, sonharam os mesmos sonhos, fantasiaram viagens ao infinito, ouvindo aquela música, bebendo um pouco, sorrindo outro tanto.
Embriagaram-se do inusitado, correram por campos verdes com cheiro de terra molhada de chuva, de pés descalços e cabelos ao vento.
Caíram na lábia dos desejos e desencadearam uma cascata neurológica de sensações, mergulhada em serotonina e medo.
Vivenciaram o proibido, o subterfúgio, o subentendido.
Viram o calor do verão ser sufocado pelo frio do inverno, e os sons das muitas vozes ser calado por um silêncio sem fim, e o tempo se arrastar lento, sem assunto, sem vontade.
E de repente, não havia mais o que dizer. Havia uma lembrança, vaga, sombria, solene, saudosa, temperada com um carinho simples, um cheiro guardado e o gosto novo do inesperado.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Escolhas

Há sempre uma escolha a ser feita.

Dormir um pouco mais e ficar atrasado ou acordar assim que o despertador toca, mesmo sabendo que vc não dá conta de ficar de pé?
Comer um pão dormido no café da manhã ou tomar um iogurte Danoninho do botão que vale por um bifão? Que roupa usar? Que música ouvir no rádio? Ou será melhor colocar um CD, cujas as músicas vc já sabe de cór e não se ater às surpresas do locutor? Casar ou comprar uma bicicleta? Mudar de emprego? Mudar de opinião política ou continuar lutando contra o Jornal Nacional quando ele traz as "Infindáveis Viagens no Maravilhosos Mundo do Lula"? Que sonho sonhar?

Sempre há uma escolha a ser feita! Até a renúncia a escolha é uma forma de escolha. E todas as nossas escolhas tem 50% de chances de darem certo, como as de qualquer outra pessoa.
Mas por que em inúmeras há um sofrimento intrínseco à dúvida?

Queremos demais prever o futuro e saber o dia certo para levar o guarda-chuva, e para usar tênis ou invés de sandálias, e para fazer todas as coisas que desejamos sem medo, sem receios, sem sombras, e a hora certa para ligar, para chorar, para mudar, para morrer.

Queremos ser vencedores... Mas nos esquecemos que nem sempre ganhar é o que importa quando se chega no final. Às vezes (muitas vezes), importa mais o caminho percorrido, os encontros feitos, os elos desfeitos, o que se deixou pra tráz e quais novas escolhas precisarão ser feitas para que novos caminhos surjam, novos encontros aconteçam, novos elos se façam. Perdendo, ganhando, vivendo.

O vencedor (Los Hermanos)

Olha lá quem vem do lado oposto e vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que nunca fui assim muito de ganhar,
junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.